Minha filha de 9 anos jogou melhor do que eu em Level Devil


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Costumo testar muitos jogos por causa do meu trabalho. Já passei por títulos de todos os gêneros, dos mais casuais aos mais desafiadores. Então, quando abri Level Devil, um indie disponível na Steam que ficou conhecido pelas pegadinhas e pelo alto nível de dificuldade, imaginei que seria apenas mais um desafio para colocar na lista.

Mas bastaram alguns minutos para perceber que aquela experiência seria diferente. E não por causa do jogo, pois quem roubou a cena foi minha filha, Catarina, de apenas 9 anos. Enquanto eu tentava entender a lógica das fases e caía repetidamente nas armadilhas, ela observava cada detalhe da tela. Depois de assistir às minhas tentativas frustradas, pediu o controle. Confesso que achei que ela também demoraria para avançar mas aconteceu exatamente o contrário.

Em poucas tentativas, Catarina começou a superar obstáculos que eu ainda não havia conseguido passar. O mais interessante era perceber a forma como ela pensava. Diferente de mim, que insistia em repetir estratégias, ela experimentava novos caminhos, desconfiava de tudo e encarava cada derrota como uma oportunidade para descobrir onde estava a próxima armadilha.

Foi impossível não rir. A cada fase, eu tinha certeza de que finalmente havia entendido o jogo. Logo em seguida, o chão desaparecia, espinhos surgiam do nada ou alguma plataforma fazia exatamente o oposto do que eu esperava. Ela, por outro lado, já estava preparada. Depois de alguns minutos, percebi que eu havia deixado de lado o papel de jornalista para apenas aproveitar aquele momento como mãe.

Mais do que descobrir um bom jogo indie, eu estava vendo minha filha desenvolver raciocínio lógico, atenção, memória e capacidade de resolver problemas enquanto se divertia. Não era apenas sobre vencer uma fase. Era sobre observar, testar, errar, adaptar e tentar novamente.

Essa experiência me fez lembrar de algo que pesquisadores vêm apontando há anos: quando utilizados de forma equilibrada, os videogames podem estimular habilidades cognitivas importantes, como resolução de problemas, tomada de decisão, atenção e flexibilidade mental. Jogando ao lado da Catarina, eu não precisava de um artigo científico para perceber isso acontecendo diante dos meus olhos.

No fim da partida, a verdade era simples. Minha filha jogou melhor do que eu. E eu adorei perder, porque, naquele momento, pouco importava quem havia passado mais fases. O que ficou foi a diversão compartilhada, as gargalhadas a cada armadilha inesperada e a satisfação de ver uma criança aprendendo enquanto brincava.

Vale a pena jogar Level Devil?

Sem dúvida! Desenvolvido pelo estúdio independente Unept, Level Devil pega um conceito extremamente simples. chegar até a porta de saída de cada fase e transforma isso em uma experiência imprevisível. Nada é confiável, acredite. O chão pode desaparecer, obstáculos mudam de posição sem aviso e o cenário parece brincar com as expectativas do jogador o tempo inteiro.

Esse é justamente o grande diferencial do game. A dificuldade não está apenas na precisão dos pulos, mas em aprender a esperar o inesperado. Na Steam, o jogo acumula avaliações “Muito Positivas”, com cerca de 91% de aprovação entre os jogadores. Muitos elogiam a criatividade das fases, o humor das armadilhas e a sensação de recompensa após cada desafio superado.

Também chama atenção o modo cooperativo local, que torna a experiência ainda mais divertida para famílias e amigos, principalmente porque permite momentos de muita interação e algumas provocações inevitáveis.

Depois dessa experiência, posso dizer que Level Devil ganhou um lugar especial na minha lista de jogos recomendados. Não apenas pela criatividade ou pelo desafio, mas porque me proporcionou algo que poucos games conseguem entregar: uma lembrança que vou guardar por muito tempo.

Às vezes, o melhor review de um jogo não está na análise técnica. Está na pessoa que senta ao seu lado, pega o controle e mostra que, aos 9 anos, também pode ensinar muito sobre videogames.

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Ananda Leonel

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