Protestos no Roblox reacendem debate sobre internet, infância e responsabilidade dos pais


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Os recentes protestos dentro do jogo Roblox viraram assunto nas redes sociais e em portais de tecnologia após a plataforma implementar mudanças em suas regras de segurança. A partir de janeiro de 2026, o chat de texto e o chat por voz passaram a ser desativados por padrão para crianças menores de 9 anos, e só podem ser liberados com consentimento dos responsáveis, após um processo de verificação de idade.

A intenção da empresa é reduzir a exposição precoce das crianças a interações com estranhos, um tema que tem sido foco de propostas de lei e debates internacionais em defesa da segurança digital de menores.

Por que essa mudança preocupa alguns pais?

Logo após o anúncio, muitos jovens e responsáveis começaram a questionar a decisão, considerando-a um exagero ou uma limitação da diversão. Começaram a liderar a “REVOLUÇÃO ROBLOXIANA” Em espaços como fóruns e redes sociais, protestos virtuais com avatares dentro do Roblox ganharam visibilidade. Parte da reação vem da percepção de que o chat era uma forma de socialização dentro do jogo.

Confesso que eu me perguntei: Cadê os pais dessas crianças? Mas me surpreendi ao perceber que eles estão permitindo. O problema está além da tela.

Especialistas em segurança digital e educação infantil alertam para uma realidade mais séria: crianças pequenas não têm maturidade para lidar com interações online sem supervisão adulta. Na minha concepção, era de senso comum proteger e resguardar a vida das crianças. Pelo visto, não é. Vivemos em era em que especialistas são questionados e dados ignorados. Mesmo com casos alarmantes de sequestros e todo tipo de abuso. 

Os riscos são reais e estão documentados

Dados do estudo TIC Kids Online Brasil 2022 mostram que 96,5% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos já acessaram a internet, e 33,1% já tiveram experiências ofensivas ou indesejadas online.

Além disso, é amplamente reconhecido por órgãos públicos que crianças e adolescentes estão expostos a situações de risco como:

  • abuso sexual online, mesmo sem o conhecimento dos responsáveis;
  • cyberbullying e assédio virtual;
  • grooming, que é o aliciamento de menores por adultos através da internet;
  • e exposição a conteúdos inapropriados que podem prejudicar o desenvolvimento emocional.

Esses riscos não acontecem só em redes sociais, eles também ocorrem em jogos online e plataformas de chat, onde perfis aparentemente inofensivos podem esconder intenções perigosas.

Onde entra a responsabilidade dos adultos?

Na prática, muitos pais acabam deixando que as crianças tenham acesso irrestrito à internet por diferentes motivos: para evitar birras, ganhar tempo para tarefas domésticas ou simplesmente por falta de orientação sobre os perigos reais que existem além da tela.

Essa atitude pode dar a sensação de facilidade momentânea, mas não substitui a educação digital e a supervisão presencial. Como diversos guias de saúde e segurança afirmam, conversar com as crianças sobre riscos online e acompanhar o que elas acessam ainda são as formas mais eficazes de proteção.

Mudança no Roblox não é censura: é proteção

A nova regra da plataforma não impede que crianças joguem, criem e interajam de forma segura com amigos próximos. Ela simplesmente exige um passo extra quando o assunto é conversar com estranhos, um passo que muitos especialistas consideram necessário para reduzir a exposição desnecessária ao risco.

A internet pode ser um ambiente de aprendizado e diversão, mas não pode ser confundida com playground sem supervisão. E, como mostra esse episódio no Roblox, parte importante da proteção está na atitude dos adultos, em casa, tanto quanto nas ferramentas das plataformas digitais.

E eu, como mãe?

Como mãe, eu falo a partir da prática e não da teoria. Eu jogo Roblox com a minha filha de 8 anos de idade, acompanho o que ela faz dentro do jogo e, por escolha minha, ela não tem acesso a chat nem a voice. Existem limites claros de tempo, de conteúdo e, principalmente, de interação. Ela se diverte, cria, joga e aprende sem precisar conversar com desconhecidos. Isso não diminuiu a experiência dela, pelo contrário. Trouxe mais segurança, mais diálogo entre nós e sobre os perigos online e a certeza de que a internet está sendo usada como ferramenta de lazer, não como substituta da presença dos pais ou como uma babá digital do seu filho. 

Limitar não é proibir, é cuidar.


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Eduardo RedeSeT

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